segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Uma lenda de amor

Conta uma velha lenda dos índios Sioux, que uma vez, Touro Bravo, o mais valente e honrado de todos os jovens guerreiros, e Nuvem Azul, a filha do cacique, uma das mais formosas da tribo, chegaram de mãos dadas até a tenda do velho feiticeiro da tribo.
- Nós nos amamos e vamos nos casar! Disse o jovem – E nos amamos tanto que queremos um conselho. Alguma coisa que nos garanta que poderemos ficar sempre juntos. Que nos assegure que estaremos juntos, um ao lado do outro, até encontrarmos a morte. Há algo que podemos fazer?
E o velho, emocionado, ao vê-los tão jovens, tão apaixonados e tão ansiosos por uma palavra, por um conselho: - Tem uma coisa a ser feita. Mas é uma tarefa muito difícil. Tu, Nuvem Azul, deve escalar o monte ao norte desta aldeia, e apenas com uma rede em tuas mãos, caçar o falcão mais vigoroso e trazê-lo aqui com vida até o terceiro dia depois da lua cheia.
- E tu, Touro Bravo, disse o feiticeiro, deves escalar a montanha do sul, onde lá em cima irá encontrar a mais brava de todas as águias. E somente com as tuas mãos e uma rede deverás apanhá-la, trazendo-a para mim viva.
Os jovens abraçaram-se com ternura e partiram para cumprir a missão. E  no dia marcado, a frente da tenda do velho feiticeiro, os dois estavam com as aves dentro de um saco e o velho pediu que com cuidado tirassem daqueles sacos. E viu que eram um falcão e uma águia maravilhosamente belos.
- E agora, o que faremos? Perguntou o jovem Touro Bravo. As matamos e depois bebemos o seu sangue em honra do nosso amor? Ou cozinhamos e depois comemos sua carne? Perguntou a jovem Nuvem Branca. . .
- Não! Disse o feiticeiro. Apanhe as aves e amarrem-nas entre si pelas patas com essas fitas de couro. Quando estiverem amarradas, soltem-nas para que voem livres.
O guerreiro e a jovem fizeram o que foi ordenado. E soltaram as duas aves. A águia e o falcão tentaram voar, mas apenas conseguiram saltar pelo terreno. Minutos depois, irritadas pela impossibilidade de voarem, as aves começaram a brigar entre si, a se bicarem, a ponto até de se machucarem. E o velho então falou:
- Jamais esqueçam o que vocês estão vendo. Você, Nuvem Branca, é a águia. Você, Touro Bravo, é o falcão. Se estiverem amarrados um ao outro, ainda que por amor, não só viverão arrastando-se como também cedo ou tarde começarão a machucarem-se um ao outro. Se quiserem que o amor entre vocês perdure: “ Voem juntos... Mas jamais amarrados”.
Em outras palavras, amar não é querer aprisionar o outro.

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